Hoje, logo depois do almoço, quando estava entrando no consultório, fui logo abordado por 3 representantes de laboratórios. É fim de verão e fim de férias, altura em que eles aparecem mais. Não houve maneira de fugir, o pessoal da propaganda médica é insistente, portanto fui direto a eles. A primeira, representante de uma empresa que fabrica um dos anti-inflamatórios mais utilizados em Odontologia, coitadinha, pagou logo pelos três. Avisei logo em alto e bom som Por favor não me de aulinhas decoradas que já conheço o produto a mais de vinte anos.
Cinco minutos de conversa e boa tarde.
O segundo, outro anti-inflamatório da concorrência, veio com uma proposta indecorosa: um jantar à troco de uma pequena formação. Vou traduzir: duas ou três horas, tarde da noite, ouvindo falar de uma molécula só, pausa para café, mais uma hora ouvindo falar da mesma molécula. A seguir, casa, que é tão tarde que já perdi a fome.
Não obrigado, moro longe e não tenho tempo.
A mais engraçada foi um sujeito que apareceu oferecendo amostras grátis de creme de baba de carcol, alegando ser muito bom para fazer desaparecer manchas provocadas por herpes labial…
A terceira, foi do Corega. Não sei porque, mas Corega me dá sempre vontade de rir. Não tem explicação… A mocinha já entrou na sala despejando um saco com dezenas de amostras grátis do produto. A seguir, começou a passar Corega em spray na mão, mandando cheirar. Cherei. Ouvi logo um Viu só como é bom doutor? Isto é para viciar os pacientes em bom hálito. Eles utilizam 3 ou 4 vezes por dia!
Essa foi a que deu azar, perguntei logo o que ela achava do excesso de creme fixador estar relacionado com danos nervosos…
Desconversou e foi embora.